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A primeira Seleção brasileira de Futebol

Há mais de 100 anos, a Seleção Brasileira de futebol entrava em campo pela primeira vez na história. Em 21 de julho de 1914, uma terça-feira, 11 jogadores, vindos de São Paulo e do Rio de Janeiro, enfrentaram o time inglês Exeter City, no Estádio das Laranjeiras, sede do carioca Fluminense. Com camisas e calções brancos, mangas detalhadas com uma faixa azul, o Brasil bateu os ingleses por 2×0, gols de Oswaldo Gomes e Osman. Naquele dia, começava a trajetória do país mais vitorioso no futebol. Do goleiro ao ponta-esquerda, na clássica formação 2-3-5, conheça os primeiros jogadores que representaram o país em um jogo de football – como era chamado à época.



Marcos (goleiro do Fluminense)


Marcos Carneiro de Mendonça (Cataguases – MG, 25 de dezembro de 1894 – Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1988) era um goleiro de classe, como diziam os jornais da época. Seu 1.87 m de altura era revestido por camisas e calções brancos, com um peculiar detalhe: uma fita roxa sendo usada como cinto – presente de sua mulher. O sonho de ser jogador quase foi interrompido por causa de uma pleurisia (inflamação que afeta os pulmões) na adolescência. Sobrinho de médico, apenas foi autorizado a jogar como goleiro. Começou no América-RJ em 1913. No ano seguinte, foi para o Fluminense, onde se tornou o primeiro goleiro da história da Seleção. Pelo Brasil, fez 15 jogos e conquistou a Copa Roca de 1914 e os Sul-Americanos de 1919 e 1922 – quando fez seu último jogo, contra o Paraguai. Como presidente do Fluminense nos anos 40, conquistou o bicampeonato carioca de 1940/41. Ele é pai de Bárbara Heliodora, crítica teatral, especialista na obra de William Shakespeare e colunista do jornal O Globo.

Píndaro (zagueiro do Flamengo)


Píndaro de Carvalho Rodrigues (São Paulo, 1º de junho de 1892 — Rio de Janeiro, 30 de agosto de 1965) começou sua carreira no Fluminense, em 1911. Conquistou o título carioca já em sua estreia. Depois de um ano no tricolor, mudou-se para o Flamengo, onde ficou até 1916 – quando formou-se médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Entre as partidas de futebol e o tempo livre, empenhava-se nos cuidados médicos dos operários da Estrada de Ferro Central do Brasil. Pela Seleção Brasileira, o lateral atuou em 8 jogos. Foi campeão da Copa Roca de 1914 e do Sul-Americano de 1919 – quando fez seu último jogo, contra o Uruguai. Píndaro foi o primeiro treinador da Seleção em Copas, no ano de 1930, quando o Brasil acabou eliminado na fase de grupos.

Nery (zagueiro do Flamengo)


Emanuel Augusto Nery (Rio de Janeiro, 25 de Dezembro de 1892 – Rio de Janeiro, 5 de Novembro de 1927) estreou o esporte mais popular do país no time mais popular do Brasil. Em maio de 1912, o Flamengo, de Nery, goleou o Mangueira por 16×2, no 1º jogo de futebol da equipe que apenas praticava remo. Naquele jogo também atuou o lateral Píndaro. O zagueiro Nery iniciou sua carreira no Fluminense em 1910 e permaneceu até 1911. No ano seguinte, foi para o Flamengo, clube no qual se aposentaria em 1919. Pela Seleção Brasileira, Nery atuou em 9 jogos. Foi campeão da Copa Roca em 1914 e fez sua última partida pelo Brasil em maio de 1917, contra o clube argentino Sportivo Barracas.

Lagreca (meio-campista do São Bento)


Sylvio Lagreca (Piracicaba -SP, 16 de junho de 1895 - São Paulo, 29 de abril de 1966) foi um grande defensor, dentro e fora dos campos. Lagreca, que começou sua carreira em 1913, no paulista Ypiranga, ficou marcado por salvar a bandeira brasileira em meio a um incêndio. O Brasil jogaria a sua terceira partida do Sul-Americano de 1916, contra o Uruguai, no estádio do clube argentino Gimnasia y Esgrima. Revoltados por ficarem de fora do jogo, torcedores atearam fogo nas cadeiras de madeira da arena. Quando as chamas já chegavam ao mastro que ostentava a bandeira brasileira, Lagreca tirou seu terno, subiu no poste e a salvou de ser queimada. Apesar dos 15 jogos – 4 como capitão – e de 1 gol marcado pela Seleção, ele é famoso por ter salvado a bandeira nacional. Foi campeão da Copa Roca em 1914.

Rubens Salles (capitão e meio-campista do Paulistano)


Rubens de Moraes Salles (São Manuel-SP, 14 de outubro de 1891 - São Paulo, 21 de julho de 1934) foi o primeiro capitão da Seleção Brasileira. O volante começou sua trajetória em 1906, pelo Paulistano, onde efetuou toda sua carreira, até 1921. Conhecido pela boa saída de bola e passes precisos, foi artilheiro do Campeonato Paulista de 1910. Pela Seleção, jogou 4 jogos, o mais importante deles contra a Argentina, pela Copa Roca de 1914 – torneio disputado em partida única. Com gol de Rubens Salles, o Brasil venceu por 1×0 e conquistou seu 1º título. Em 1930, Rubens tornou-se o primeiro treinador do São Paulo da Floresta, que depois se tornaria o tradicional e atual São Paulo.

Rolando (meio-campista do Botafogo)




Rolando de Lamare (Belém, 10 de novembro de 1888 - Rio de Janeiro, 20 de julho de 1963) foi mais um doutor no “scratch nacional”. O meio-campo ficou marcado pelo tricampeonato carioca (1907, 1910 e 1912) quando atuava pelo Botafogo. No mesmo ano em que conquistou seu último torneio regional, formou-se médico na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rolando jogou somente um jogo pela Seleção, justamente a estreia. Depois de se aposentar do futebol, tornou-se professor universitário e médico especialista em urologia.


Abelardo (atacante do Botafogo)



Abelardo de Lamare (Belém, 26 de novembro de 1892 – 1979) era irmão de Rolando. O atacante também fez sua carreira no Botafogo. Em 1910, com 22 gols, tornou-se artilheiro e campeão do Campeonato Carioca. Um ano depois da conquista, foi suspenso do esporte. Em um jogo contra o América-RJ, válido pelo torneio regional, brigou com Gabriel Carvalho e foi obrigado a se afastar do futebol por 1 ano. Abelardo era conhecido pela fama de “durão”.

Oswaldo Gomes (atacante do Fluminense)


Oswaldo Gomes (Rio de Janeiro, 30 de abril de 1888 - 5 de julho de 1963) foi o primeiro jogador a marcar um gol pela Seleção Brasileira. O centromédio Oswaldo detém, até hoje, o recorde de maior campeão carioca da história, com 8 títulos – todos pelo Fluminense. Jogou pelo tricolor carioca em toda sua carreira, de 1906 até 1921. Pelo Brasil, atuou em 6 partidas – a mais emblemática em 1920. Brasil e Argentina se enfrentariam em um amistoso, jogado no estádio do Barracas Central. No dia da partida, jornais argentinos publicaram desenhos de macacos como jogadores brasileiros. Em forma de protesto, cinco brasileiros se recusaram a jogar. Oswaldo, na época presidente da Confederação Brasileira de Desportos, voltou aos campos para completar o número mínimo de sete jogadores e enfrentar a Argentina.

Friedenreich (atacante do Ypiranga-SP)



Arthur Friedenreich (São Paulo, 18 de julho de 1892 – São Paulo, 6 de setembro de 1969) foi o primeiro grande craque brasileiro. Filho de pai alemão e mãe brasileira, começou sua carreira no Germânia (atual Pinheiros) em 1909. Marcado por futebol inteligente e irreverente, “El Tigre”, como foi apelidado, jogou em 15 clubes. Friedenreich defendeu a Seleção Brasileira em 23 jogos e marcou 10 gols, um deles o gol do título contra o Uruguai, no Sul-Americano de 1919. Seu último jogo pelo Brasil foi em um amistoso contra o argentino River Plate, em 1935, três anos depois de Fried ter lutado na Revolução Constitucionalista de 1932 com outros jogadores paulistas.

Osman (atacante do América-RJ)



Osman Medeiros (Rio de Janeiro, 1896 – Curitiba, 1929). O meia-esquerda Osman começou sua carreira em 1912, pelo extinto Sport Club Americano. Depois que o clube fechou, ele foi jogar no América, em 1913. O falecimento de Osman ocorreu em 1929, de maneira insólita. Ao apartar uma briga entre insatisfeitos com a política do café-com-leite que confrontavam com a polícia, recebeu um tiro no pulmão, que o levou ao falecimento. Osman jogou apenas um jogo pela Seleção, e marcou o segundo gol da história do país.

Formiga (atacante do Ypiranga-SP)


Afrodísio Camargo Formiga Xavier (São Paulo, 9 de março de 1895 – São Paulo, 30 de julho de 1974) foi o capitão do bicampeonato Sul-Americano. Afrodísio era seu nome de batismo, porém todos o conheciam como “Formiga”. O apelido surgiu nos treinos da A.A. das Palmeiras, clube de São Paulo. Ainda um garoto, ficava assistindo a preparação dos jogadores, e quando a bola era chutada longe, os atletas gritavam: “Pega, Formiga.” O apelido ficou para sempre – inclusive o atacante até colocou a alcunha em seu nome oficial. Começou no Ypiranga, passou pelo Flamengo e na sua segunda passagem pelo Paulistano, em 1929, aposentou-se. Pela Seleção, disputou 8 jogos e os 2 gols marcados foram na decisão do Sul-Americano de 1922, quando foi capitão e o melhor jogador da final.

Pesquisa / Montagem / Edição: JF Hyppólito
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